Em que ordem ensinar as letras para escrever (dica: não de A a Z)
Ensine as letras para escrever em famílias de traços, não de A a Z. Comece com maiúsculas de linhas retas como L, T, I, E, F e H. Passe para letras de curvas como C, O, Q e G, depois para letras que misturam linhas e curvas como D, P, B e R, e deixe as letras com diagonais como K, M, N e W para o fim. As maiúsculas vêm antes das minúsculas.

A música do alfabeto coloca as letras numa ordem ótima para cantar e ruim para escrever. Pesquisadores da Universidade Estadual da Flórida testaram centenas de crianças de pré-escola para ver como escreviam cada letra, e a dificuldade se mostrou espalhada pelo alfabeto inteiro. O, L, A e T estavam entre as letras mais fáceis de escrever para crianças pequenas, enquanto J, K, Z, G e Q estavam entre as mais difíceis. Percorra as letras em ordem alfabética e um iniciante encontra letras fáceis e difíceis ao acaso, sem chance de construir um movimento sobre o outro.
Agrupar as letras pelos traços que elas compartilham resolve isso. É assim que terapeutas ocupacionais e a maioria dos programas de escrita ordenam o alfabeto, e é fácil de aplicar em casa. Aqui estão os argumentos contra o A a Z, a ordem que funciona melhor e como ensinar cada grupo.
Por que a ordem alfabética é a ordem errada para escrever?
Porque escrever é uma habilidade motora, e habilidades motoras se aprendem dos movimentos fáceis para os difíceis, com movimentos parecidos ensinados juntos. A ordem alfabética ignora as duas regras. Ela abre com o A, uma letra de diagonais que muitas crianças de 4 anos ainda não controlam, salta entre traços retos, curvos e inclinados a cada letra e nunca deixa uma letra facilitar a próxima.
Para deixar claro, o A a Z serve muito bem para aquilo que foi feito: a música, os nomes das letras e o reconhecimento das letras na página. Continue cantando. Este guia trata de algo mais específico, a ordem em que a criança aprende a formar as letras com o lápis, e para essa tarefa a ordem do alfabeto é um acidente da história, sem mais sentido do que ensinar palavras na ordem do dicionário.
Pense em como qualquer outra habilidade física é ensinada. Um treinador de natação não ensina os nados em ordem de dicionário, e um professor de piano não começa pela peça que começa com A. Eles ordenam o trabalho para que cada habilidade alimente a seguinte. As famílias de traços fazem isso pelas letras: uma criança que acabou de escrever o L já praticou quase todo o T, e uma criança que sabe escrever o C está a um traço do O e do G. A ordem alfabética joga fora esse progresso de graça.
Ainda há um bônus para as letras que costumam se confundir. Numa sequência por famílias de traços, o b e o d minúsculos caem em grupos diferentes e são aprendidos com semanas de distância, então cada um fica firme antes de o sósia aparecer. Ensinados um atrás do outro, como o alfabeto os enfileira, eles se misturam. Se essa confusão já se instalou, nosso guia sobre a troca de b e d tem as soluções.
Em que ordem devo ensinar as letras?
Avance por quatro grupos de letras maiúsculas, dos traços mais fáceis aos mais difíceis: primeiro as linhas retas, depois as curvas, depois as letras que combinam uma linha com uma curva e, por fim, as diagonais. Dentro de cada grupo, coloque primeiro as letras com menos traços. Esta é a sequência:
- Letras de linhas retas: L, T, I, H, E, F. Todos os traços são linhas verticais ou horizontais, os primeiros traços que as crianças dominam. Linha grande para baixo, linha pequena atravessada, pronto.
- Letras de curvas: C, O, Q, G, S. Elas nascem do círculo. O C é um círculo deixado aberto, o O o fecha, o Q e o G acrescentam uma linha pequena, e o S guarda sua curva dupla para o fim do grupo.
- Letras de linha mais curva: D, P, B, R, U, J. Cada uma começa com uma linha reta conhecida e pendura uma curva nela. O B segue o P com naturalidade, já que é um P com uma segunda barriga.
- Letras com diagonais: A, K, M, N, V, W, X, Y, Z. Os traços inclinados são os últimos que as mãos pequenas controlam, em geral por volta dos 5 anos, então essas letras ficam por último mesmo com A e K perto do começo do alfabeto.
Duas notas práticas. Primeiro, o nome do seu filho fura a fila. As letras de um nome carregam mais motivação do que o resto do alfabeto inteiro, então ensine essas letras cedo, não importa a que grupo pertençam, como mostra nosso guia sobre ensinar a criança a escrever o próprio nome. Segundo, trate os grupos como um caminho, não como uma prisão. Se seu filho está louco para escrever o M de Mamãe, ensine. Depois volte ao caminho.
Onde as minúsculas entram na ordem?
A mesma lógica de famílias ordena as minúsculas quando seu filho chegar lá, normalmente depois que as maiúsculas já saem firmes. Ensine o c primeiro, porque ele abre a maior família: c, o, a, d, g e q começam todas com a mesma curva. Depois as letras curtas de linhas retas l, t e i. Depois as letras que começam com uma linha para baixo e ganham uma curvinha, como r, n, m, h, b e p. As letras com cauda e as diagonais, como j, y, k, v, w, x e z, ficam por último. Repare que o d fica na família do c e o b na família da curvinha, exatamente a separação que evita que eles se confundam.
Devo ensinar primeiro as maiúsculas ou as minúsculas?
Para escrever, primeiro as maiúsculas. As maiúsculas são feitas de traços grandes e separados, todas têm a mesma altura e todas começam em cima. As minúsculas são mais difíceis em tudo: misturam curvas e caudas, ficam em três alturas diferentes e incluem os pares espelhados b e d, p e q. Domine primeiro o conjunto simples e depois reaproveite esses movimentos no mais difícil.
As crianças votam do mesmo jeito com os próprios lápis. No estudo da Flórida, quando as crianças de pré-escola escreviam letras, cerca de 94 por cento do que produziam saía em maiúsculas, mesmo sem ninguém pedir. Começar a prática de formação pelas maiúsculas vai a favor dessa corrente, não contra. As minúsculas continuam importando muito, já que quase tudo o que seu filho vai ler e escrever é minúsculo, e a escola vai cobrar. A questão é a sequência: as maiúsculas são a rampa de entrada, e a mesma lógica de famílias de traços ordena depois as minúsculas quando seu filho estiver pronto.
Uma ressalva prática: se a escola do seu filho já começou pelas minúsculas, siga a escola. Combinar com a sala de aula importa mais do que rodar a sequência ideal em casa, e tudo nesta página continua valendo. As famílias de minúsculas acima dão a ordem, e a rotina de ensino abaixo funciona igual para qualquer letra, grande ou pequena.
Como ensino um grupo de letras?
Uma letra de cada vez, começando de cima, com a mesma instrução verbal curta todas as vezes. Uma instrução como "linha grande para baixo, linha pequena atravessando em cima" para o T dá ao seu filho palavras para guiar o lápis, e dizê-la em voz alta enquanto ele escreve mantém a ordem dos traços constante. A constância é quase toda a batalha: uma letra formada do mesmo jeito todas as vezes vira automática, e letras automáticas liberam a atenção da criança para a ortografia e as ideias mais tarde.
- Mostre a letra e desenhe-a devagar você primeiro, dizendo a instrução enquanto faz.
- Peça ao seu filho para traçá-la várias vezes, bem grande, dizendo a instrução com você.
- Deixe que ele a escreva sozinho numa linha em branco, sempre começando de cima.
- Acrescente a próxima letra do grupo só quando a atual sair firme sem ajuda.
- Quando o grupo terminar, revise escrevendo todas as letras dele em sequência, e misture uma letra de um grupo anterior para que nada se perca.
Erros que vale a pena evitar
- Letras formadas de baixo para cima. Letras começadas por baixo parecem bem aos 5 anos e viram uma escrita lenta e trabalhosa aos 8. Corrija o ponto de partida cedo, todas as vezes.
- Modelos misturados. Se a escola ensina um estilo específico de letra, use o mesmo em casa. Duas versões concorrentes da letra a vão brigar entre si.
- Letras novas demais de uma vez. Uma letra nova por sessão já basta. A meta são letras automáticas, e o automático exige repetição.
- Corrigir tudo. Corrija o ponto de partida e a ordem dos traços, e deixe os tremidos passarem. Os tremidos somem com a prática. Uma criança que só ouve correção para de querer escrever.
Um modelo para traçar faz metade desse trabalho por você, porque a letra já está ali para seguir. As fichas imprimíveis de prática de escrita cobrem o alfabeto inteiro num formato de traçar e depois escrever, então você pode separar as páginas do grupo em que estiver. Para as letras do nome, o gerador grátis de fichas de nomes para traçar monta uma folha com o nome do seu filho em segundos. Conte que um grupo leve uma ou duas semanas de sessões curtas, e que o grupo das diagonais demore mais. A culpa é dos traços, não do aluno.
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